quinta-feira, 28 de junho de 2018

Oi, meu nome é Alex Petroski. Tem alguém aí?

É por meio das gravações do iPod de Ouro que conhecemos a história de Alex Petroski, um menino de 11 anos com mentalidade de 13 que explica porque suas piadas são engraçadas. 



Incrivelmente maduro e apaixonado por Carl Sagan, seu herói cientista, astrônomo e astrofísico a ponto de batizar seu cachorro como homenagem e totalmente fascinado pelo espaço sideral, Alex vive uma vida simples que não o impede de ser sonhador e questionar a respeito de tudo em nosso mundo. 

Como resistir a um garotinho que narra tudo à sua volta para que os alienígenas que encontrarem seu iPod saibam como é a vida na Terra? 

É graças a um festival de lançamento de foguetes que Alex se junta à Carl Sagan, seu cachorrinho medroso e amável, para embarcar em uma viagem pelos Estados Unidos muito inusitada. Ainda que seu propósito fosse apenas lançar seu primeiríssimo foguete, suas aventuras e novas amizades acabam trazendo cada vez mais informações sobre sua família, nos deixando curiosos o suficiente para devorar o livro o mais rápido possível. 

A leitura é confusa num primeiro momento pela quantidade de informação e porque a história nos é contada 100% pelos relatos de Alex em relação a tudo: o lugar onde ele está, o que as outras pessoas disseram pra ele (e o que ele respondeu), além de inúmeras dúvidas para aqueles que moram no planeta que irá encontrar seu iPod de Ouro. Quando você se acostuma com o ritmo, consegue apreciar todos os detalhes da obra com certa calma. 

O que mais chama atenção na obra é notar como a ingenuidade presente em nosso personagem representa inúmeros valores que muitas vezes são deixados de lado em nossa vida adulta. Amor, carinho, empatia, curiosidade em relação ao mundo e uma visão otimista onde grandes problemas podem (e devem) ser resolvidos com facilidade.

Fica muito claro durante todo o livro o quanto Alex ama sua família, composta por ele, a mãe e o irmão mais velho que vive em Los Angeles. Durante suas aventuras, mais membros são adicionados à sua vida e fica muito claro o impacto positivo que sentimentos como carinho e preocupação podem trazer para a nossa vida. 

A história é encantadora, engraçada e emocionante. Situações difíceis são encaradas de frente e com muita bravura. 

Suas atitudes e visão de mundo me lembram muito Auggie, do livro Extraordinário escrito pela R.J Palacio, que também aborda temas sensíveis com uma maestria indiscutível. Vejo Você no Espaço foi publicado pela Intrínseca e é o romance de estreia do autor Jack Cheng, que nos ensina que a família se constrói quando se menos espera e que o próprio universo não consegue ser maior do que atos feitos com honestidade, força e muito amor. 



sexta-feira, 22 de junho de 2018

Existem algumas coisas que definimos como prioridades na nossa vida. Se alimentar, por exemplo. Tomar banho diariamente. Ter uma playlist boa e atualizada. Não esquecer do seu livro de cabeceira. E, no meu caso, comprar meu primeiro Kindle. 


Minha vida de estudante universitária que ficava o dia inteiro de boas em casa assistindo muita Netflix chegou ao fim quando comecei meu estágio, lá pro final de abril. Desde então, me tornei uma cidadã comum que acorda cedo para ir trabalhar e estuda de noite.

Eu sei que parece uma reclamação, mas não é bem assim. 
Mentira, é sim.
Só um pouco. 

Eu sempre tive curiosidade a respeito desse mágico dispositivo Kindle que parecia iluminar a vida de todos os leitores que já o tinham e postavam tanto sobre ele nos perfis de Instagram e blogs da vida. 

Para você, caro leitor que não faz ideia do que diabos é um Kindle, aqui vai uma explicação bem direta e, honestamente, até meio tosca de minha parte: 

O Kindle é um dispositivo (mais precisamente um mini tablet) que lê ebooks da queridíssima Amazon. Suas vantagens estão em seu tamanho perfeito que cabe em sua mão, podendo levá-lo para qualquer lugar e ter uma experiência satisfatória sem que seus olhos queimem depois de tanto tempo encarando a tela de um celular ou, até mesmo, um computador. 

Apesar de saber que eu faria muito bom proveito dessa maravilha, eu nunca tinha pensado em comprar de fato. 

Até que eu recebi meu primeiro salário. 

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E foi coisa de destino: assim que eu estava com o dinheiro na mão, a Amazon divulgou sua promoção de Dia dos Namorados e eu pude unir o útil ao agradável. Já que não tenho alguém pra comemorar essa data comigo, é justo que eu me presenteie sozinha, né?

Depois do Kindle, procrastinar deixou de ser uma opção. Tenho mais alguns dias sobrando da minha versão de teste do Kindle Unlimited (que é o equivalente da Netflix, só que de livro), e meus dias tem sido muito mais felizes. 

Ah, deixar de lado os livros físicos jamais será uma opção. Só acho justo gastarmos menos com outros que não fazemos questão de ter no meio da estante surrada que pede por socorro cada vez que adicionamos doze livros de uma vez nela. 




terça-feira, 5 de junho de 2018

Vivi mil vidas em alguns anos por meio de páginas carregadas de histórias. 



Me apaixonei mil vezes por mil pessoas diferentes e tive o coração quebrado por muitos outros ainda. 
Aprendi mitologia com o Percy, a jogar sinuca com o Patch, e a amar a família com o Lochan (literalmente). 
Aprendi que inteligente é o novo sexy com a Hermione, a ser corajosa com a America e a ser misteriosa com a Margo. 

Tive lições de moral, conselhos de mães e abraços apertados por meio de tantos livros! Estive em tantos lugares espalhados pelo mundo inteiro, mas tenho a certeza de que o melhor deles é no meu quarto, deitada na minha cama com mais umas 300 e poucas páginas desconhecidas no meu colo e ainda sei que, quando essas deixarem de ser desconhecidas, vou sentir mais uma vez como se tivesse perdido um grande amigo, mas ainda assim vou ter ganhado mais uma estrela no meu céu iluminado. 

Capas vibrantes intocadas, títulos misteriosos, - outros nem tanto (risos) - e autores ainda não desmistificados são o que tornam minhas semanas menos caóticas e minha vida real um tanto quanto mais interessante. 

Então, um brinde a nós! 

Isso aqui é dedicado a todos aqueles que leem com a eterna careta de aflição no rosto e o vinco no meio da testa, a todos que clicaram em uma caneta esperando que esta se transformasse em uma espada, a todos aqueles que acreditam em mágica, e, por fim, todos aqueles que se sentem incompreendidos, mas que continuam sonhando. 

Aqui estamos nós. 

Um pouco mais pobres no bolso, mas mais ricos por dentro e com algumas palavras longas e inteligentes na ponta da língua. Nunca sozinhos. Vida longa ao olhar marejado de perder mais um personagem daquele livro maravilhoso, vida longa a ressaca literária, vida longa as olheiras de ter virado a noite terminando seu vício da vez. Um brinde a todos "só mais esse capítulo" que nos fizeram ser desse nosso jeito. 

Um brinde a nós! Um brinde a todos os autores e personagens que nos tiraram a sanidade. 

Muito, muito obrigada!

quinta-feira, 31 de maio de 2018

Mim Malone não está nada bem. E você definitivamente estará depois dessa obra prima. 
Prepare-se para conhecer a sua mais nova personagem favorita em um livro que certamente vai conquistar seu coração, assim como conquistou totalmente o meu. 

"Sou uma coleção de esquistices,
Um circo de neurônios e elétrons;
Meu coração é o dono do circo:
Minha alma, o trapezista,
E o mundo, minha plateia.
Parece estranho porque é estranho,
É estranho porque sou estranha."

Se afastar da mãe para viver uma vida com o pai e a madrasta indesejada já era o suficiente para fazer com que Mary Iris Malone, nossa querida Mim, não estivesse bem. Descobrir que sua mãe ficou doente é o ponto de partida para uma drástica (e necessária) mudança de rumo. 
Um rumo direto à mãe. A mais de mil quilômetros de distância. Sozinha, de ônibus. Convivendo com todos os tipos de pessoas possíveis e imagináveis, acompanhada apenas de sua mochila com alguns pertences: seu caderno, onde inúmeras cartas são escritas detalhando a sua jornada maluca explicando todos os seus Motivos. Dinheiro roubado da mádrasta. Seu precioso batom brilhante. 

Mim é de longe uma das personagens mais fortes que eu já vi. Engraçada e problemática, cega de um olho, carrega sua maquiagem de guerra para todo lado e analisa o mundo por uma perspectiva sarcástica e muito inteligente. Ao longo do caminho, se encanta, se assusta e reflete muito sobre a vida: o que ela já foi, o que pode ser e seu papel no meio disso tudo.  

E, acima de tudo, reflete sobre seus sentimentos no meio dessa viagem e sobre o impacto das novas amizades e pessoas incríveis que cruzaram o seu caminho. 
Walt, um menino de muita luz e que sempre carrega seu cubo mágico, falando de Nova Chicago e tomando muito Mountain Dew. 
Beck, atrás de sua câmera com seu olhar enigmático e que carrega anseios escondidos por trás de um lindo sorriso, que arrebata seu coração e a faz tropeçar no amor, sem qualquer aviso prévio. 

Não consigo descrever o quanto esse livro é denso e lindo, com temas muito mais simples do que um simples Young Adult com uma garota de 16 anos em uma road trip como protagonista. Recomendarei esse livro para sempre, e ainda assim vou achar pouco! Essa história é só amor, cumplicidade, empatia, força, inspiração e poesia. 

Que atire a primeira pedra aquela pessoa que nunca pensou em fugir da sua própria "Mosquitolândia" e ter um médico que tem um urso em seu consultório. 

Tenho certeza de que eles ainda se lembram ponto de encontrowski e darão fim à sua despedida de faz de conta. Eu, definitivamente, estarei lá quando isso acontecer.


sábado, 26 de maio de 2018


Acho que Jay Asher jamais preveria o escândalo que a série inspirada no seu livro poderia causar. Ou talvez ele soubesse. 
Vamos lá. Vamos falar sobre 13 Reasons Why. Não se preocupe, não vai rolar spoiler!

Você deve se lembrar de como o mundo ficou quando a primeira temporada dessa série foi ao ar na Netflix. Uma grande parte que assistiu adorou, e outra parte detestou e muitos textões vieram à tona. 

Com essa segunda temporada, não foi diferente. Aliás, eu tenho visto muito mais críticas do que elogios, e eu consigo entender perfeitamente o porquê. (Pegou a referência?).

13 Reasons Why fala sobre o suicídio de Hannah Baker. Hannah deixou 13 fitas para as pessoas que a levaram a chegar em sua decisão, e a série mostra como a vida dessas pessoas mudou ao ouvirem sua história e tentando impedir a repercussão que ela daria se chegasse em mãos erradas. 

Na segunda temporada, temos o processo da mãe dela, Olivia Baker, contra a escola Liberty High, que permitia que seus alunos fizessem mal a outras alunas dentro do ambiente acadêmico, (para dizer o mínimo). Durante a temporada, temos o testemunho de cada um dos envolvidos e antigas histórias sobre Hannah vem à tona. 
A questão polêmica aqui é o fato de que a série deixa muito explícito cenas de abuso sexual, uso de drogas, bullying, e agressão física. Quando digo muito explícito, quero dizer MUITO explícito. O suicídio da Hannah também foi mostrado, ao vivo e a cores. Essa foi a principal crítica de sua estreia. 

Por mostrar questões tão delicadas quanto essas explicitamente, pessoas que já passaram ou passam por essas experiências ficam vulneráveis e as imagens mais prejudicam do que qualquer outra coisa. Outro dia, me deparei com um textão no Facebook onde o homem afirmava que, assim como ele, pessoas com tendência suicida estavam "anotando tudinho" que era mostrado na série. Também vi outro texto, em uma página literária consideravelmente grande, (também pelo Facebook), sobre o quanto a série é tóxica. 
A série, infelizmente, retrata cenas reais. Ela não é tóxica. A vida sabe ser. Pessoas com essas atitudes definitivamente são. 

Entendam que o meu ponto de vista é de uma pessoa que não possui nenhum distúrbio mental e não sofreu com nenhuma das questões claramente abordadas. A série não possui cenas fáceis de serem vistas, mas eu acho importante que elas estejam aí. Acho importante falarmos sobre coisas tão terríveis e tão reais! 
Eu concordo plenamente que existem outras maneiras de discutir tudo isso sem causar todo o choque e desconforto que essas cenas específicas nos trazem, mas consigo entender a decisão dessa abordagem tão brusca.

O intuito desse show, de acordo com os produtores, é começar uma discussão sobre esses assuntos. E, de um modo terrivelmente cru ou de outro, isso é o que ela faz. Seja por meio de textões com críticas, seja com revolta, seja com qualquer coisa. Ela existe, e é muito importante. Ela incomoda. E não é pouco. 

Ao assistirmos, nos questionamos sobre como uma pessoa pode ser tão cruel ou tão ingênua. Como assuntos tão importantes são levados levianamente. Nos faz pensar em nossas próprias ações e carrega a importante mensagem de fazer bem aos outros, da mesma maneira que queremos que aconteça conosco. 

13 Reasons Why é uma série que nos faz sentir de tudo. Desde raiva, frustração e medo, até esperança e um gostinho de quero mais, de curiosidade. De torcida pelos nossos personagens, querendo um futuro melhor. 

E você? O que acha? Vamos debater isso nos comentários! 




quinta-feira, 17 de maio de 2018

Lucy Hale. Tyler Posey. Suspense. Um nome enigmático. Não pude resistir e perder a oportunidade de assistir a essa maravilha. 



Você viaja com um grupo de amigos para o México para aproveitar o Spring Break. Tira muitas fotos, grava muitos vídeos, bebe tequila. Muita tequila. E diversos outros drinks.

Então, conhece um cara num bar que convida você e seu grupo de amigos para uma mansão numa colina, no meio do nada, totalmente macabra, que os convida a jogar Verdade ou Desafio. O que poderia dar errado? 

Pois é. Tudo.

Pra começo de conversa, eu já não era fã desse jogo desde a época da escola. Estar onde eles estavam e ouvir aquele estranho dizendo que na verdade o jogo é real, e se não jogarem direito, eles morrem, não me deixaria nem um pouco animada. E foi o mesmo que aconteceu com eles, na volta para casa e para a rotina.

Olivia, interpretada por Lucy Hale, parece ser a típica mocinha que sempre faria a coisa certa sem hesitar. Secretamente apaixonada pelo namorado da melhor amiga, Markie, é muito racional e a favor da moral ser a principal responsável na tomada de decisões da vida de uma pessoa. 

Lucas, o namorado, interpretado pelo queridíssimo Tyler Posey, é um bom garoto que ama sua namorada e seu grupo de amigos maluco e é ingênuo o suficiente para acreditar que tudo estava bem. 

Markie, interpretada por Violett Beanerepetia seu lema de amizade o tempo todo com Olivia. Seu passado é um pouco mais sombrio com o suicídio do pai e a tentativa de aprender a como lidar com a perda, além de ter algumas dúvidas escondidas a sete chaves.

Quando nosso grupo volta do México, Olivia é a primeira vítima do Jogo, e é forçada a escolher: Verdade ou Desafio?
Depois daí, começamos a descobrir, a cada verdade de cada integrante, que a realidade não é tão simples como aparenta ser e que todos nós temos segredos que não deviam ser revelados nunca.



A primeira frase dessa resenha resume bem os motivos que me fizeram ir ao cinema para conferir esse filme, e fico feliz em dizer que não me decepcionei. Quando pesquisei resenhas e críticas a respeito, vi no geral opiniões negativas e que diziam que o filme "não tem nada de original ou inovador". A pergunta que eu deixo aqui é: qual o problema disso? 

Não precisamos levar todos os filmes do mundo a sério o tempo todo. Podemos simplesmente curtir e conseguir apreciar o ridículo, desde que você saiba que vai ter uma experiência positiva. Foi o meu caso. 


Entre você e o mundo, eu escolho você. 

Mesmo que os efeitos não sejam os mais macabros do mundo, e que as explicações a respeito da natureza do jogo deixam alguns fios soltos e não façam lá tanto sentido, ainda achei bizarro o suficiente para que eu ficasse aflita a cada vez que um dos nossos integrantes tivesse que jogar. 

Para você, que é fã dos filmes de Premonição, por exemplo, essa é uma boa recomendação. A série e os filmes de Scream também se encaixam nesse caso. 

A temática é bem simples e previsível em vários momentos, mas eu estaria mentindo se dissesse que eu não aproveitei e que assistiria novamente, sem sombras de dúvidas. A sessão que fui tinha muitos grupos de amigos que pareceram se divertir e que gostaram tanto quanto eu, o que sempre é interessante. (Vale dizer que minha mãe e eu saímos fazendo a Cara Bizarra do Tal Capeta, então foi muito engraçado). 

Particularmente, sou muito medrosa quando o assunto é filme de terror, e no caso desse thriller, os sustos (ainda que previsíveis) não me deixaram nada a desejar. 

A história não perdeu seu ritmo e me vi curiosa tentando entender o que estava acontecendo junto dos personagens, que queriam viver sem correr o risco de morrer ao se recusar a cumprir um desafio ou dizer uma verdade muito bem escondida. 

O final do filme me pegou de surpresa e eu adorei ver o quanto ele fez sentido ao considerar toda a história. Há quem diga que ele deixou no ar um gancho para uma possível continuação, mas acho que ele terminou de uma maneira boa o suficiente para que a história não precisasse se desenrolar muito mais. 

No final das contas, me perguntei se eu tomaria a mesma atitude que Olivia e seus amigos em suas decisões, e me questionei até onde a moral é capaz de chegar. Será que eu conseguiria chegar onde chegaram? 

E você? O que você escolheria?


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segunda-feira, 14 de maio de 2018

Tudo na vida passa, até uva passa. Quantas vezes já ouvimos isso no fim de um discurso de nossa mãe naqueles momentos em que desabafamos sobre como tudo está dando errado? 

Bom, as coisas mudaram um pouco e agora eu desabafo sobre como tudo está dando errado bem aqui no meu cantinho, sentada na minha cama colada a parede, com um pijama descombinado de propósito e o cabelo preso de qualquer maneira no topo da cabeça.

“Não se desespere por nada, querida. Tudo na vida tem jeito. O que não tem jeito, a gente arruma.”

Minha mãe no momento tenta forçar contato comigo do mesmo jeito que era antes, mas acho que ela se esquece que nada é hoje como foi ontem. Eu mudei, ela mudou, nós mudamos, nossas vidas mudaram. Minha cabeça continua a mesma, cheia. Exceto que está cheia de coisas diferentes agora. Cheia de você, na verdade.

É, acho que pra isso não tem jeito.

Eu costumava passar meus dias antenada ao meu redor, focada na realidade e com os pés bem pregados ao chão. Agora passo meus dias me perguntando se você pensa em mim, e torcendo com os dedos cruzados e olhos apertados para a resposta ser sim. As horas passaram e nada de você se tocar que eu não tenho todo o tempo do mundo, que é melhor se apressar para não me perder de vez. Mas vai ficar tudo bem, tudo passa. Acho que vibramos em outra frequência, no fim das contas.

Temos um alvo muito fácil batendo no lado esquerdo do nosso peito e você acertou bem em cheio, mesmo com a sua mira podre. Me deixou travada sem conseguir me mover ou dizer nada, e foi preciso 204 músicas em uma playlist para falar tudo aquilo que eu queria mas não podia. Mas tudo bem, tudo passa. O que você não quer, eu não quero mais insistir.

Estou aqui agora, me arrumando para ir trabalhar mais um dia absorta nos meus pensamentos. Maquiagem para esconder a insônia estampada em meu rosto, roupa social para concordar com o ambiente, salto alto para me deixar mais alta. Sorriso educado no rosto e relógio no pulso pra contar quanto tempo você perde com a pessoa errada. Estou pronta para mais um dia, torcendo para que já que tudo passa, talvez você passe por aqui também.