resenha

"Por Lugares Incríveis" by Jennifer Niven

15:49:00


Não faço a menor ideia de como começar a falar sobre esse livro sem me arrepiar e querer chorar tudo de novo. 
Sabe quando escolhemos um livro sem nem olhar para a sinopse ou para a capa, e simplesmente cruzamos os dedos para que tenha sido uma boa escolha? 
Acho que nunca escolhi tão bem em toda a minha vida. 

[...]
Dois jovens prestes a escolher a morte despertam um no outro a vontade de viver. Violet Markey tinha uma vida perfeita, mas todos os seus planos deixam de fazer sentido quando ela e a irmã sofrem um acidente de carro e apenas Violet sobrevive. Sentindo-se culpada pelo que aconteceu, Violet se afasta de todos e tenta descobrir como seguir em frente. Theodore Finch é o esquisito da escola, perseguido pelos valentões e obrigado a lidar com longos períodos de depressão, o pai violento e a apatia do resto da família.
Enquanto Violet conta os dias para o fim das aulas, quando poderá ir embora da cidadezinha onde mora, Finch pesquisa diferentes métodos de suicídio e imagina se conseguiria levar algum deles adiante. Em uma dessas tentativas, ele vai parar no alto da torre da escola e, para sua surpresa, encontra Violet, também prestes a pular. Um ajuda o outro a sair dali, e essa dupla improvável se une para fazer um trabalho de geografia: visitar os lugares incríveis do estado onde moram. Nessas andanças, Finch encontra em Violet alguém com quem finalmente pode ser ele mesmo, e a garota para de contar os dias e passa a vivê-los.
[...]

Temos nesse livro um tema tabu que vem sido explorado em várias outras obras, o que é muito importante: o suicídio. Colocado de uma forma mais "leve" e dramatizada, talvez, mas incrivelmente real e cru. 

Logo no início do livro eu já percebi que seria completamente entregue à história e aos seus personagens surreais. Temos capítulos que alternam o ponto de vista entre Theodore Finch e Violet Markey, novos amigos e futuros amantes que se conhecem da maneira mais improvável possível - um salvou ao outro do suicídio certo na torre do sino da escola.

Finch sempre foi conhecido pelos colegas da escola como "Aberração", e é de longe um dos personagens mais maravilhosos que já vi. Ele não se preocupa em pensar antes de fazer o que der vontade, e sempre muda sua personalidade para determinada época ou vontade diferente. Temos Finch dos anos 90, Finch fodão, Finch de todos os tipos. Todos os Finches são imperdíveis.

O que ninguém sabia, no entanto, era sobre os Apagões que tinha de vez em quando - sem um motivo aparente, ele simplesmente apagava e demorava para voltar ao normal. Seu quarto jorra personalidade, onde ele utiliza suas paredes para colar nelas anotações sobre qualquer coisa: coisas que lhe fazem bem, inspirações para músicas, palavras que ele acha interessante, a pergunta de "Será que é um dia bom?". 

No final do livro, a autora explica todo o processo de como ela se inspirou e porque optou por um tema tão pesado assim, o que me deixou arrepiada e prolongou minhas lágrimas um pouco mais. O jeito que ela teceu a história foi genial. Ela explica que foi seu livro mais pessoal de todos os que já publicou, e vale muito a pena conhecer de perto seu trabalho. 

Volto a dizer que Jennifer Niven foi genial ao mesclar as personalidades dos personagens, fazendo brotar aos poucos um romance nem um pouco convencional: por que Violet Markey se apaixonaria pelo Aberração, afinal de contas? Ninguém esperava que eles tivessem tanta coisa em comum. Nem eles esperavam.

Todos na escola a conheciam, e, no dia do incidente da torre do sino, acreditaram que a garota tinha simplesmente subido lá para impedir que Finch se jogasse e se despedaçasse de uma vez. 
Violet é uma garota linda aspirante a escritora que perdeu sua irmã mais velha, Eleanor, para um acidente de carro. Ninguém no mundo era tão importante para ela quanto a irmã, por isso a perda a derrubou de uma maneira que ela simplesmente prefiria evitar tudo o que um dia a conectava - incluindo então, a escrita, o que a deixou bastante perdida por um tempo. 

Quando os dois são colocados no mesmo trabalho de geografia, as coisas começam a ficar interessantes de verdade. Seu objetivo era descobrir lugares históricos e importantes de seu Estado, Indiana, e com isso fazer anotações, fotografar e apresentar para toda a turma depois. A proposta era de escolher no mínimo dois lugares, mas Finch não perderia essa chance de viajar por aí com uma garota bonita por nada. 

Finch decide que ele e sua "Ultravioleta Markante" farão "Andanças" pelos lugares mais inusitados e desconhecidos, onde vão se conhecendo e se amando à sua maneira. Fizeram algumas regras para seguir em todas as suas viagens, e logo me vi morrendo de vontade de participar de todas elas com os dois. Em diálogos muito inteligentes e divertidos, os dois se descobrem apaixonados por muitas coisas em comum e não demora muito para que admitem estar apaixonados entre si também.

O livro conta com frases bastante profundas e vários elementos me lembraram de "Cidades de Papel", obra do John Green. Para quem gostou da história de John, sem dúvidas vai gostar dessa. 
Quando Finch decide se afastar repentinamente, cabe a Ultravioleta Markante preocupar-se e sentir a necessidade de procurá-lo por todos os lugares. Quando ela se lembra de um lugar que os marcou em especial, preferiu que não tivesse tido o raciocínio para encontrá-lo lá. 

No que diz respeito aos personagens secundários, as famílias dos dois tem um papel importante: principalmente a de Finch, que nos dá uma ideia dos motivos que o levaram a sentir-se daquela maneira. Amigos e colegas dos dois também são apresentados ao longo da obra, e todos foram curiosamente bem construídos. 

Não existe nada sobre a história que eu não tenha gostado - o final é terrivelmente triste, mas inevitável. Em nenhum momento a obra deixou de ser bela, muitíssimo bem detalhada e ela flui muito fácil. Li o livro em menos de 2 dias, desesperada para absorver tudo.

Finch sempre lutou contra estereótipos e contra ser classificado em um único "setor", por assim dizer, o que é um dos motivos para eu acreditar que ele é um dos melhores personagens já criados. Sonhador, lutando contra seu próprio ser, despreocupado com opiniões alheias. Com certeza, está em busca do final daquele buraco negro até agora. 

"Surpreendente" by Maurício Gomyde

14:04:00


É seguro dizer que o título do livro fala pela obra em si. Quando comprei "Surpreendente", foi graças às críticas maravilhosas que eu via a respeito dele em todo lugar - resenhas em blogs, postagens no Instagram.
Essa é mais uma delas.


[...]
Aos 25 anos, recém-formado, Pedro está convencido de que é um sujeito muito especial, que tem a missão de usar o cinema como instrumento para melhorar o mundo. Diagnosticado na adolescência com uma doença degenerativa que o condenaria à cegueira, ele contraria a lógica da medicina quando a perda de sua visão estaciona de forma inexplicável. Enquanto comanda o último cineclube de São Paulo e trabalha em uma videolocadora da periferia, Pedro planeja seu próximo filme, a obra que vai consagrá-lo. E, para animar as coisas, conhece a intrigante Cristal, uma ruivinha decidida, garçonete e estudante de física nuclear, que mexe com seu coração.
A perspectiva idealista de Pedro, porém, sofre sérios abalos. Atormentado por um segredo, ele parte com os amigos Fit, Mayla e Cristal numa longa viagem até Pirenópolis, em Goiás, a bordo de um Opala envenenado. Com câmeras nas mãos e espírito de aventura, a equipe técnica improvisada está disposta a usar toda a sua criatividade na filmagem feita na estrada ao sabor de encontros inesperados e de sentimentos imprevisíveis. E o jovem cineasta descobre que, quando o destino foge do script, nada supera o apoio de grandes amigos.
[...]


Na maioria das vezes, livros nacionais são negligenciados por blogueiros ou amantes da literatura por inúmeros motivos, o que é um pecado, mas me incluo no meio. Um dos motivos para não termos muita vontade de ler pode ser por achar que ele não será tão interessante quanto os internacionais. Fico feliz em dizer que essa obra de Maurício Gomyde é uma bela exceção. 


Pedro é um sonhador diretor de cinema, apaixonado por criar coisas novas e intensas que vão mudar o dia e a vida de alguém. Uma doença degenerativa em sua visão pode atrapalhar muitas coisas no processo criativo e na vida no geral, mas nada o impedia de sonhar e ir atrás de seu sonho, o prêmio Cacau de Ouro. 


Cristal é ruiva dos olhos verdes, uma física nuclear dirigindo uma scooter que jurava que não explodiria um quarteirão inteiro.
Embora as personalidades dos dois fossem bem distintas, seus diálogos sempre foram muito interessantes e a conexão entre eles foi linda. Irônicos e sonhadores em uma medida maravilhosa.

Aliás, dou destaque aqui a todos os diálogos e personagens da história - todos, sem exceção, foram muito bem construídos, e a leitura flui maravilhosamente fácil.

Mayra, a garota mais criativa da região, e Fit, sempre com referências a todos os tipos de desenhos animados, completam o quarteto principal que aparece ao longo da história. 


Antes de chegar à decisão sobre o que o mais novo filme vencedor seria, Pedro desistiu de um projeto e precisou que uma notícia ruim o inspirasse. Tudo o que ele queria era uma segunda chance. E quando a teve, foi a fundo nela. 


Mais uma vez temos uma obra que reforça o poder que uma grande amizade tem na vida das pessoas, onde Fit, Cristal e Mayra seguem uma viagem maluca com Pedro para gravar seu filme sobre CHANCE.

Seguindo uma trilha nada convencional dirigindo uma lata velha com seus 3 amigos malucos, ele se mostra acima de tudo, humano. Houveram momentos lindíssimos entre os amigos, onde nenhum deles questionava os motivos reais daquela viagem, confiando lealmente e desejando apenas a felicidade do amigo que escondia suas preocupações com uma piora em sua saúde. 


Achei interessante ver como Pedro aproveitou sua "segunda chance" com tanta bondade, tanto prazer. Ao invés de sentir-se melancólico e injustiçado, lutava diariamente para trazer felicidade tanto para pessoas próximas quanto para completos estranhos, o que é incrível. E, quando as sensações ruins finalmente decidem tomar conta dele, mais uma vez vem a minha cabeça a ideia de como ele é humano e real. 


A família tem um papel muito importante na história, tanto os pais de Pedro - divorciados recentemente e com um segredo importante que ele descobre ao longo da trama - quanto a família unida, alegre e maluca de Cristal. A avó de Pedro é a responsável por uma grande descoberta, e foi dela que ele ganhou o presente mais especial.


Uma das coisas que mais gostei foi a tentativa de Pedro e Mayra de manter vivo o "cineclube", uma espécie de cinema no subsolo do restaurante da tia de Mayra onde ele escolhia um filme e o mostrava para quem quer que aparecesse, comentando sobre a obra antes e depois. 


Sempre usando seu colar de olho turco, mesmo que sua fé tenha se abalado em certos momentos e o inevitável em sua saúde tenha acontecido, vale muito a pena conhecer essa história que nos ensina que as coisas podem ser boas, mesmo que pareçam não ser, e sempre teremos uma CHANCE.
E, quando essa CHANCE no sentido ruim passa para o bom sentido, não há nada mais a temer.

resenha

"Mentirosos" by E. Lockhart

07:03:00



Sempre existe aquele livro que temos curiosidade de ler, mas acabamos deixando para depois.
Sempre para depois. 
Sem um motivo específico, mas ele sempre está ali. 
E então, você finalmente o tem em mãos para lê-lo de fato.

E é arrebatado com uma das melhores histórias de todas. 

Mentirosos foi um livro que sempre foi muitíssimo bem avaliado tanto por blogueiros e apaixonados por literatura quanto por escritores e afins. A história é escrita de uma maneira crua e direta, onde reviravoltas desenvolvem-se ao longo da trama. Até hoje, não encontrei críticas negativas a seu respeito e esse foi um dos principais motivos de alimentar a curiosidade de contemplar essa obra prima.
Não esperava que fosse esse suspense ou "thriller psicológico" tão intenso.

Não me arrependo nem por um único segundo. 

[...] 
"Somos Sinclair. 
Ninguém é carente. 
Ninguém erra.
Vivemos, pelo menos durante o verão, 
em uma ilha particular.
Talvez isso seja tudo que você precisa saber a nosso respeito".
[...]



Narrada por Cadence, conhecemos de perto o impecável mundo da família Sinclair, onde os pais tiveram três belas filhas loiras e perfeitas em todos os sentidos possíveis e imagináveis e o dinheiro está longe de ser um problema. Eles não aceitam não como resposta e valorizam o poder acima de (praticamente) tudo no mundo.  

Cada personagem foi muito bem construído e o livro nos mostra o que o amor e o poder da amizade na juventude é capaz de fazer, onde nem tudo aquilo que parece perfeito na verdade é. 
Os capítulos da história são no geral curtos (apesar de ter vários) e a leitura é bastante dinâmica, onde Cady conta sobre seu acidente na ilha e suas dores e agonias constantes depois de tudo o que aconteceu. 

Parece um grande clichê, pensar que é uma história onde o dinheiro e o poder no fim das contas não significam nada se o que você for por dentro for uma droga, mas não é bem assim. Ou, talvez seja, mas vale cada virada de página. 

Contando sobre todos os seus verões na ilha de Beechwood, pertencente aos avós, Cady nos apresenta aos seus primos Johnny e Mirren, e o mais novo companheiro deles, Gat.
Gat é um amigo de Johnny que começou a frequentar a ilha com eles logo depois da mãe de Johnny começar a namorar seu tio, Ed. 

E, assim que Cady viu Gat, seu Gat, sabia que poderia fazer aquilo para sempre. E, depois que ele correu atrás dela, seguido por Johnny, que era seguido por Mirren, tínhamos algo grandioso sendo criado ali. 

Os Mentirosos. As melhores pessoas de todos os tempos. 

Mirren é açúcar, curiosidade e chuva.
Johnny é estalo, iniciativa e sarcasmo. 
Gat, seu Gat, é contemplação e entusiasmo, ambição e café forte.

Nossos personagens são sonhadores e engraçados, com um senso crítico incrível e um humor de tirar o fôlego. A família é grande, com vários golden retrievers igualmente loiros e sofisticados.

Esse livro está repleto de frases de efeito, aquelas perfeitas para nos fazer refletir e que honestamente causam arrepios. Como sou fã de coisas desse tipo, fui levada de uma maneira na história que acabei terminando-o no mesmo dia em que comecei. 
A amizade entre eles é uma das maiores e mais belas que já presenciei em livros, onde as sensações boas descritas por Cadence me lembraram de Charlie, de As Vantagens de Ser Invisível, quando se sentia infinito junto de sua própria "panela". 

Ser jovem e apaixonada, rica, bela e inteligente, junto de amigos incríveis em uma ilha que um dia poderá ser sua.
O que poderia dar errado? 
Tudo. 
Literalmente,
tudo. 

No começo, fiquei um pouco perdida graças à quantidade de personagens e lugares, mas aos poucos tudo vai se encaixando e fazendo sentido. O final não era nada com o que eu esperava que podia ser, o que deixou tudo ainda mais nauseante. 

Depois do acidente onde Cady se encontrou encharcada e hipotérmica na beira da praia, sozinha, e com sinais óbvios de que havia sofrido uma grande pancada na cabeça, sua memória foi alterada e tudo o que aconteceu antes e depois do acidente naquele verão foi esquecido. 

Foi depois disso que ela se viu determinada a descobrir o que tinha acontecido e porque todos em sua família não falavam a respeito de nada com ela. E, quando descobre o que havia feito, o que haviam feito, todos os seus Mentirosos ao seu lado, o livro chega ao final com um desfecho trágico, real e cru.

Mais um livro recomendado para quem gosta de chorar desesperadamente.

A vontade de descobrir o que foi de tão terrível que os Mentirosos fizeram e porque todos comportavam-se de maneira tão diferente é grandíssima e acredito que não existe melhor maneira de demonstrar tudo isso, além do jeito que E. Lockhart fez. É de tirar o fôlego, em todos os sentidos.

resenha

"As vantagens de ser invisível" by Stephen Chbosky

17:55:00


Sei que em pleno século XXI, nenhum de nós é acostumado a enviar cartas. Num mundo onde a internet e a tecnologia andam lado a lado dominando tudo e todos, é difícil encontrar costumes como esses, considerados 100% antigos e talvez até tediosos. 

Nessa história, entretanto, as coisas são um pouquinho diferentes. 
Não se deixe enganar. Não é como se fosse antiga ou coisa parecida, mas toda a trajetória é descrita por meio de cartas

Já tinha lido livros onde os personagens se comunicavam dessa maneira, ou de maneira bem similar: posso citar aqui Anexos, da Rainbow Rowell ou Simplesmente Acontece, da Cecelia Ahern. Tenho certeza de que existem muitos, muitos outros. Mas isso não vem ao caso agora, não é?

Todos nós temos problemas e os mais variados dramas envolvidos em nossas vidas. Embora os nossos pareçam ser monótonos quando comparados aos grandes heróis em nossos livros favoritos, nessa bela história, Charlie nos traz para sua realidade - muito normal e similar à nossa - por meio de cartas para um "amigo" anônimo. Contada única e exclusivamente pelo ponto de vista de seu futuro personagem favorito, "As vantagens de ser invisível" é mais um daqueles livros que nos faz pensar em tudo: na vida, em nós mesmos, no universo. 

Acredito que muitos de vocês já tenham lido ou pelo menos reconhecem a capa e o título dele graças à adaptação para o filme com nossa eterna Emma Watson, Logan Lerman e o glorioso Ezra Miller. Os atores são simplesmente incríveis, e o filme também tem uma boa produção. Mas falemos disso depois. 

Estou segura em dizer que esse foi um dos livros mais fáceis que já li na minha vida. A história flui naturalmente, sem grandes enrolações, e embora o primeiro contato com as cartas possa parecer estranha, logo me vi ansiosa para ver o que o Charlie teria para dizer em seguida. Me trouxe uma sensação extremamente confortável. 

Charlie fala sobre tudo em sua vida: sua convivência com os pais e irmãos, o relacionamento que tinha com a querida e falecida tia, a amizade com pessoas tão diferentes e incríveis, os livros que seu professor pedia para ler. Todas essas relações vão se desenrolando ao virar das páginas, onde os problemas aparecem e ele se vê obrigado a lidar com tudo, assim como nós, meros mortais. 

Tenho que dizer que nunca vi um personagem mais fofo do que ele. Sonhador, Charlie chora o tempo todo e constantemente divaga pensando sobre as vidas dos outros, e se eles estão felizes ou não. Com referências à músicas muito bonitas e aventuras onde ele "se sentia infinito", é difícil escolher qual a frase mais bonita para postarmos nas nossas futuras legendas de fotos do Instagram ou o próximo status do WhatsApp. 

Brincadeiras a parte, é muito lindo ver o quanto amizades sinceras fazem a diferença para a vida de uma pessoa, e no quanto é simples para que nós possamos nos sentir infinitos. Para mim, essa é a mensagem que o livro traz. Embora as coisas se mostrem muito caóticas por aqui de tempos em tempos, existem sempre as coisas que importam. As coisas que fazem a diferença em nossa vida, aquilo que nos torna únicos. 

Não vou entrar em muitos detalhes para não acabar com a graça de quem ainda não presenciou a obra, mas recomendo do fundo do coração. É lindo, é suave, é brilhante. Deixará coisas a se pensar. Pelo menos, eu pensei, e muito. 

O filme, apesar dos grandes abismos da velha história de "livro vs filme" é ainda uma outra obra que vale a pena conhecer. Como já disse, os atores são ótimos e a produção ficou linda. Não se prenda ao livro quando estiver assistindo, pense neles como coisas separadas. Os dois são ótimos, à sua própria maneira. 
Acreditem, foi o único jeito que consegui parar de reclamar ao assistir filmes adaptados. 

Tenho certeza de que a primeira coisa que você vai querer fazer quando acabar (tanto a leitura quanto à sessão de cinema) é chamar seus amigos para dirigir uma picape com a música alta por um túnel, de braços abertos. Se sentindo infinito

netflix

Um Pouco Sobre "Grey's Anatomy"

18:37:00



Hoje em dia, não existe nada mais normal do que ver pessoas que assistem a milhares de séries: seja na amada Netflix ou em qualquer outro site que as disponibilize, 
não nos cansamos delas nunca. No final das contas, o carrossel nunca para de girar.


Grey's Anatomy é, sem dúvidas, uma das séries mais longas disponíveis atualmente: com 12 temporadas completas com 24 episódios em média cada uma, a 13° temporada em breve estará entre nós. Se você busca por algo longo e que te envolverá completamente, essa é a série certa para você. 

Podem procurar. Até hoje, não vi ninguém que tenha assistido e não tenha gostado dessa belezinha: foi por isso que comecei e cá estou agora. E, a verdade? Não me arrependo nem por um segundo sequer. 


Essa é a famosa série onde nosso elenco é composto por médicos e "quase-médicos" que passam por todo tipo de problema que você possa imaginar, tanto com pacientes quanto na vida particular de cada um. A história gira em torno do Hospital Seattle Grace onde observamos um grupo de novos internos recém formados em medicina que estão prontos para tornarem-se cirurgiões. A trama foca principalmente na vida turbulenta de Meredith Grey, que carrega consigo um nome muito importante no ramo da medicina graças à sua mãe que era nada mais, nada menos do que uma cirurgiã magnífica.

A frase "nem tudo são flores" se encaixa perfeitamente na vida dela, até mesmo quando Derek Sheperd encontra-a num bar onde uma coisa leva à outra e ambos concordam que aquilo aconteceria somente aquela vez.

Não preciso nem dizer que os dois quebraram o combinado, não é?


No final das contas, Meredith recebe a desesperadora surpresa de que Derek é neurocirurgião no hospital em que ela está prestes a passar o resto de sua vida estudando e salvando pessoas.


A história fica cada vez mais interessante a partir daí.


Apesar do foco inicial ser em Meredith, ao longo dos episódios e temporadas conhecemos a vida particular de cada um de nossos novatos, mostrando-nos tanto a parte boa quanto a ruim em cada uma. E acreditem quando eu digo que existe muita parte ruim. Muita parte boa, também. 


Não demorará mais do que um episódio para que você se veja entregue à vida desses personagens tão únicos: a série te fará rir, chorar, torcer por essas pessoas incríveis e aprender várias lições de vida ao longo de todas as temporadas. 


A relação de Derek com Meredith, Alex com Izzie, George com Meredith e Izzie... Cristina Yang e toda a sua frieza e genialidade... Não dá pra decidir o que, ou quem é melhor. 


Já que se trata de doze temporadas, é bom que você esteja preparado para todo tipo possível e impossível de situação. Existe bastante loucura e intensidade envolvidos, principalmente no que diz respeito aos pacientes. Como a história se passa mostrando a trajetória de cirurgiões, sangue e tripas é o que não faltará. Depois de algum tempo, tenho certeza de que você vai se acostumar e pode até ter vontade de cursar medicina para poder seguir os mesmos passos de Meredith, Cristina, Izzie, George e Alex. Acredite, aconteceu comigo e com várias pessoas que conheço. 


Sem comentar, é claro, no elenco incrível: acredito que eu nunca tenha visto tanta gente bonita e talentosa assim em um lugar só. Os homens, garotas, são surreais. Cada personagem é bruscamente diferente do outro e cada um se supera. Suas personalidades são incríveis e é difícil decidir quem é seu favorito. 


O drama nos traz lições sobre perda, luto, amizade, lealdade e a lista continua infinitamente. Particularmente, não pretendo perder mais nem um segundo dessa obra-prima. 


E você também não deveria. E então, que séries assistem? 




resenha

"Confess" by Colleen Hoover

17:57:00


Imagine que você tenha uma confissão, um segredo guardado a sete chaves. Agora imagine que você o escreveu num pedaço de papel e o colocou numa caixa, de forma totalmente anônima. Qual seria sua reação ao descobrir que sua confissão virou uma pintura?

Não há nada mais prazeroso do que comprar um livro pela capa e descobrir que ele valeu muito a pena depois. E descobrir que, além da capa maravilhosa, o livro contém fotos magníficas "perdidas" no meio. 

Com uma leitura rápida, fácil e muitíssimo prazerosa, apresento-os à Colleen Hoover e sua obra prima que é Confess


Auburn Reed é uma mulher forte e decidida, com toda a sua vida planejada e sem espaço ou tempo para cometer erros.

Num dia que parecia ser comum, Auburn se depara com uma vitrine um tanto quanto diferente - um estúdio de arte que lhe chamou a atenção. Dentro desse estúdio, estava Owen Gentry, seu futuro chefe de última hora e o homem que viraria todo o seu mundo até então estável de cabeça para baixo. 

Owen não era apenas um cara belo de aparência misteriosa. Dono das iniciais "O.M.G", de uma gata que tem seu nome e de um humor admirável, ele faz quadros deslumbrantes a partir da caixinha de confissões que mencionei no começo desse texto. 
E, ao mesmo tempo em que isso é belo, é também suspeito. 
Ao longo da história, percebemos que ele é, de fato, misterioso por completo e guarda segredos que nunca poderia admitir, com medo de perder a garota que agora não sai de sua cabeça. Até onde todos esses segredos podem levá-lo e até onde Auburn está disposta a ir para descobri-los?

Auburn luta por uma vida onde possa ter chances melhores para si mesma e para uma pessoa que é muito importante para ela, colocando em risco toda a sua relação com esse homem tão inspirador que ela conhecera em tão pouco tempo. 


Não demora para que nossos personagens se conheçam e conectem-se de maneiras que mal conseguem entender ou explicar. 

A intensidade que existe entre os dois é de tirar o fôlego e a trajetória que seguiram foi magnífica. 

Apesar de toda essa resenha parecer sobre uma história super piegas, posso garantir a você, leitor interessado, que a trama é incrível. É claro que existem mais personagens importantes, mas, se eu continuar falando, acabarei dando spoiler e tirando a graça da leitura de alguém por aí. 

As personalidades de todos os personagens são bem distintas e muito bem formadas - tive momentos em que dei muita risada, em outros que tive ódio e, o que não poderia faltar, momentos em que me emocionei a ponto de derramar uma lágrima ou duas. 


O livro é, de maneira geral, intenso e belo. Engraçado e prazeroso, nos trazendo uma sensação maravilhosa depois que chegamos ao fim. Recomendo todo e qualquer livro que Colleen Hoover já escreveu em sua vida. 


Já que acabei comprando uma edição em inglês, o formato é bem diferente. Seu material de brochura é meio "mole" e as páginas são um pouco mais escuras do que estou acostumada, mas isso não impediu com que eu admirasse os belíssimos desenhos presentes nele:





E esses foram só alguns que encontrei no Google; tudo é demais, não é mesmo?
E aí, já conhecem essa obra prima? 





harry potter

"Harry Potter & The Cursed Child" by JK Rowling, John Tiffany and Jack Thorne

18:10:00


Não é segredo para ninguém que a saga que narra a história do Garoto Que Sobreviveu é amada por milhões de pessoas em todos os lugares no mundo. O que fazer quando, 19 anos depois, a cicatriz volta a doer?

Para começo de conversa, acho mais do que justo que todos leiam Harry Potter em algum momento da vida. Apesar de serem obras publicadas inicialmente focadas no público infantil, não existe idade certa para acompanhar - e se apaixonar - na trajetória maravilhosa que tantos personagens espetaculares percorreram.  

JK Rowling publicou o primeiro livro, "Harry Potter e a Pedra Filosofal", em 1997, e, agora em 2016, temos um lado novo e inexplorado desse mundo tão extraordinário. 


Existem alguns pontos para se levar em consideração quando se tratando de "Harry Potter & The Cursed Child". A primeira observação é que a única versão disponível atual desse livro está em inglês, e cabe a você decidir entre a versão US ou UK*. A diferença entre as duas é bem mínima, onde uma capa encontra-se diferente da outra e alguns outros detalhes. No geral, a história é a mesma e já adianto que é incrível. É claro que você também pode esperar para quando a edição em português for publicada.


A segunda consideração é lembrar que essa história não foi originalmente escrita pela soberana JK, e sim pelo roteirista britânico Jack Thorne, com a ajuda do diretor John Tiffany. Jack teve a ideia de pegar o mundo dos livros e levá-lo para o teatro, criando personagens novos com suas devidas histórias. Por isso, toda a obra se encontra em formato de script (roteiro), completamente diferente do que estamos acostumados a ver nos outros 7 livros da autora. Logo no começo, Rowling dedica o livro à Jack, dizendo que ele "entrou em seu mundo e fez coisas maravilhosas nele". 

Harry Potter e o restante do trio de ouro encontram-se dezenove anos mais velhos, com suas famílias já formadas e até então unidas. Infelizmente, o foco da história não se encontra mais em nossos personagens tão amados, mas nos dá a oportunidade de amar outros tão maravilhosos quanto: os filhos deles.

Albus Severus Potter é filho de Harry com Gina Weasley e sua maior preocupação é acabar sendo selecionado para uma casa que não seja a Grifinória e não conseguir fazer jus ao nome da família, tão especial. O livro mostra uma relação bastante turbulenta entre pai e filho, onde o fardo de ser filho do bruxo mais conhecido e famoso do mundo mágico leva Albus a fazer coisas das quais, mais pra frente, se arrepende. Ele começa como um garoto jovem e sonhador que acaba tornando-se sombrio e impopular quando suas expectativas vão por água abaixo.

Existe bastante tensão e preocupação por parte dos pais, tanto em relação a seus filhos quanto em relação ao futuro do mundo mágico e um possível retorno do Lorde das Trevas, já que a famosa cicatriz volta a trazer sonhos nada convencionais e uma dor insuportável.


A leitura é bem rápida e simples, por ter (quase exclusivamente) falas e muito pouco de narrativa. É um pouco estranho no começo, já que particularmente não estou acostumada a ler roteiros, mas confesso que gostei do formato. Gosto de uma boa frase de efeito e conversas ao longo de toda a história. E, para quem quiser treinar um pouco de seu inglês, é uma ótima pedida. 

Ao longo do livro, podemos perceber que mesmo que a jornada de Albus não tenha necessariamente sido igual a do Harry, em ambos os casos os dois preocupavam-se sempre com um bem maior e não seguiram suas jornadas sozinhos - ele não conseguiria fazer nada sem seu melhor amigo, Scorpius Malfoy.

Um Malfoy e um Potter. Eu sei, é estranho. Mas, honestamente, eu não poderia pedir por coisa melhor. 

Scorpius Malfoy é super inteligente e irônico, mas sofre com rumores sobre quem seria seu verdadeiro pai. Draco se mostra surpreendente nessa história, sempre preocupando-se com seu filho e em busca de sua segurança acima de tudo. Foi um lado que nunca tinha sido mostrado antes e ver que esse amor estava ali me deixou bastante satisfeita. 

Mas, mesmo que Draco tenha se mostrado melhor em vários aspectos, sua relação com Harry continua a mesma, onde um não suporta o outro e não consegue manter-se no mesmo lugar que o outro sem provocações ou até mesmo uma luta com suas varinhas quase aposentadas. 


Enquanto seus pais são arqui-inimigos declarados, a relação de Albus e Scorpius é muito bonita, onde um acaba tornando-se a âncora do outrobem parecida com o que Harry tinha com Mione e Ron. Esse fator foi uma jogada muito interessante da parte dos escritores, conectando as duas histórias, mesmo que sutilmente. O modo como respeitaram o mundo que já foi completamente criado pela JK é admirável, para dizer o mínimo. 


Para esse livro, prepare seu coração e espere vivenciar muitas aventuras ilegais, ler frases de efeito de tirar o fôlego e aprender a amar duas crianças que lutam para se encaixarem num mundo onde se sentem tão perdidas. Afinal, quem de nós nunca sentiu-se da mesma maneira? 


Acredito que a obra encantará a todos, ou pelo menos a grande maioria, principalmente se você já for fã de carteirinha. 


Se ainda não é, não perca tempo. 

Sua carta de Hogwarts pode chegar a qualquer instante, basta você querer. 


(PS: Ron Weasley continua sendo o melhor personagem que já vi na vida.)

* Caso queira ver as diferenças entre as versões UK e US, encontrei esse vídeo para vocês. Basta clicar aqui






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