o paralelo entre minha crise de identidade, Harry Styles, livros, músicas e Heartstopper
Bu! Uma fantasma passando com uma linha de raciocínio meio depreshow.
Queria deixar bem claro que a sensação de Não Saber Quem Eu Sou E Não Fazer Ideia De Como Ser Eu Mesma não é de hoje, mas foi só recentemente que eu ouvi ela numa música e aí meu sentimento foi validado. Antes disso eu achava que essa sensação era só um produto da minha habilidade de dramatizar tudo.
A música é “My Own Person” de Ezra Williams. Eu ouvi de madrugada durante a minha volta de ônibus de São Paulo para o Espírito Santo, acho que dois dias depois de Heartstopper ter estreado na Netflix e eu ter ficado completamente obcecada com a trilha sonora.
Essa música toca na cena em que o Nick senta no chão do quarto meio desesperado e dá um Google em “eu sou gay?” tentando entender mais que poderia estar acontecendo com ele, e a combinação de melodia e letra tornou tudo bem rude & illegal. Eu vim escutando essa música, sem brincadeira, por umas 3 horas no repeat.
Não quero me esquecer do quão sensível e vulnerável eu me senti ao ouvir a música, porque eu sinceramente acho essa uma das coisas mais bonitas sobre mim, que eu estou aberta a me conectar com arte, sabe?
O que eu queria esquecer ou pelo menos lidar de uma maneira melhor foi a tristeza e solidão que eu senti por me conectar com ela. Se liga:
Been rotating the same two outfits for three years now Waiting for some kind of inspiration To make me feel like I'm my own person
But buying new clothes just makes me feel down Having new style cause me more attention And I don't feel like I'm my own person
I just feel like some other version of me
Been talkin' 'bout the same problems for years now But nothing I do seems to make things happen I try too hard, guess I got to keep searching
Alternando entre as mesmas duas roupas há três anos Esperando por algum tipo de inspiração Para me fazer sentir como se eu fosse minha própria pessoa
Mas comprar roupas novas só me faz sentir mal Ter um novo estilo me chamaria mais atenção E eu não me sinto como se fosse minha própria pessoa
Eu só me sinto como uma outra versão de mim
Há anos que falo sobre os mesmos problemas Mas nada do que faço parece fazer as coisas acontecerem Eu tento muito, acho que tenho que continuar procurando
O Link pra ouvir ela no spotify é esse aqui.
Ao mesmo tempo que eu queria destruir a auto obsessão morando em mim, eu queria me sentir à vontade para simplesmente existir e ser o mais autêntica possível, e não me preocupar tanto com a maneira que eu sou percebida.
Honrar meu nome, meus gostos, meus sentimentos, medos, paixões e jeitinhos. Estar aqui de coração aberto e determinada a sentir tudo que há pra sentir nesse mundo. Fazer valer a pena e me conectar com pessoas, manja?
Já ouviu falar da crise dos 20 e tantos anos? Então, eu sinto que moro nela desde que eu tinha 11, mas vou responsabilizar tudo isso na minha personalidade de uma Tipo 4w3 (falando nisso, você sabe seu eneagrama? topa fazer o teste?)
Acho que eu nunca estive confortável na minha própria pele, e é como se essa sensação fosse um corredor com várias portas, sabe? Várias coisas fazem com que eu me sinta assim. Meu relacionamento com meus pais, com minhas amigas na época das 5 escolas diferentes que eu estudei, com o pessoal da minha cidade pequena, com a relação que eu tenho com a internet.
Não precisa me dizer que “todo mundo se sente assim”, essa é sinceramente uma das coisas mais insensíveis que você pode dizer a alguém. Eu sei que eu não a única, e ainda bem! Mas onde é que tá todo mundo? Normalizem ter essas inseguranças no meio do rolê quando tá todo mundo meio bêbado em vez de te olharem torto e falarem “alguém suspende o vinho dela”.
Alexa, toca Satellite do Harry Styles!
sPiNnInG OuT WaItiNg FoR yOu tO PuLL mE iNnnNn
Já ouviu essa música? muito boa, né? Se não, você pode ouvir Satellite no spotify.
Enfim, e aí foi recentemente que eu fui - mais uma vez - validada por um livro que descrevia perfeitamente o que eu sentia, e a lição dele virou uma chave na minha cabeça.
O livro é “people we meet on vacation”, da Emily Henry. Agora que eu escrevo esse texto, ele ainda está pra ser publicado aqui no Brasil como “De férias com você” e eu só quero uns segundos pra falar: que tradução de título merda.
Thank you for listening, let’s move on.
Na história, Poppy cresce com uma vontade insana de viajar e rodar o mundo, e isso foi regado pela sensação de não pertencimento a sua família, escola, cidade, amigos daquele nicho. Orra se eu me senti vista.
Quer mais um tapa na cara? Ela não tinha necessariamente vontade de viajar, ela tinha vontade de fugir. Aí, uns 15 anos depois do fim do ensino médio, há várias horas de avião de distância da sua cidade natal, no meio de um metrô lotado em Nova York, ela esbarra com um antigo colega de classe que foi babaca com ela.
Nesse momento ela descreve pensar que você pode correr e voar o quanto quiser, mas que não tem como fugir de certas coisas. Eu consegui ouvir a minha vontade de fazer um intercâmbio apressado pro outro lado do mundo pra fugir de casa rindo alto da minha cara.
Ela fala o seguinte:
“Suddenly we’re not kids anymore, and it feels like it happened overnight, so fast I didn’t have time to notice, to let go of everything that used to matter so much, to see that the old wounds that once felt like gut-level lacerations have faded to small white scars, mixed in among the stretch marks and sunspots and little divots where time has grazed against my body.
I’ve put so much time and distance between myself and that lonely girl, and what does it matter? Here is a piece of my past, right in front of me, miles away from home. You can’t outrun yourself. Not your history, not your fears, not the parts of yourself you’re worried are wrong.”
“De repente não somos mais crianças, e parece que foi da noite para o dia, tão rápido que não tive tempo de perceber, de largar tudo o que antes importava tanto, de ver que as velhas feridas que antes pareciam como lacerações profundas se desvaneceram em pequenas cicatrizes brancas, misturadas entre as estrias e manchas solares e pequenos buracos onde o tempo roçou meu corpo.
Eu coloquei tanto tempo e distância entre mim e aquela garota solitária, e o que isso importa? Aqui está um pedaço do meu passado, bem na minha frente, a quilômetros de casa. Você não pode fugir de si mesmo. Nem da sua história, nem de seus medos, nem das partes de você que você teme que estejam erradas.”
Uma hora dessas, sabe? Se torna puxadíssimo.
E aí, depois que eu me pude expressar em palavras o eterno desconforto incurável que eu sentia há tanto anos, eu comecei a enxergar ele em tudo a minha volta. Filmes que eu assisto, outros personagens literários, músicas e mais músicas que me faziam entender mais um pedacinho de como eu me sinto.
É como se a cada porta que eu abrisse, o que estivesse ali me lembrasse do quão nada parece autêntico ou "a ver comigo".
Então quem eu sou, se não simpatizo com o que está a minha volta? Como eu sei para qual direção eu devo ir pra me encontrar?
Não me entenda errado, é importante e especial se conectar com arte, mas é meio solitário sentir essas coisas e não achar que tem muito espaço disponível para compartilhar.
Mas acontece que tem, porque eu vivo numa parte da história que a internet já existe, olha que maravilha.
É difícil que alguém te veja se você também não olha para si mesmo e não se dá o trabalho de lidar com o que tá rolando dentro do seu peito. É igualmente difícil que alguém te ajude a levantar se você não estende a mão, sabe?
Então eu tô aqui escrevendo isso. Essa sou eu fazendo a minha parte e deixando outras pessoas verem um pedaço de quem eu sou no momento. Yay, therapy!
Espero que esse texto incentive você que está lendo em algum momento da história da humanidade a conversar sobre seus sentimentos com alguém.
E se você quiser, sei lá, conhecer mais sobre paranoias que eu tenho toda vez que leio um livro, vem conhecer o perfil do Fantasma no insta que tem tudo sobre Histórias! Meu perfil pessoal no app é @bellimarino_ e você também pode me encontrar no spotify clicando aqui.
Leia o livro people we meet on vacation, escrito pela Emily Henry também!
tô de ressaca, e agora?
A famosa ressaca literária é aquele estágio em que você fica em um limbo em conseguir se aprofundar em alguma história, às vezes por ainda tá preso na anterior (eu te entendo), porque tá cansado de ler (eu também te entendo), ou porque tá sem muito tempo para ler (...sim, eu também tô com você nessa).
Bom, se tem uma coisa que uma década de leitura me ensinou, foi a saber lidar com a ressaca!
Continua lendo pra saber o que fazer quando essas situações ali em cima acontecerem!
tô de ressaca porque não superei minha última história
Bom, se isso acontecer, é muito provavelmente porque você ainda não tá pronto pra dizer tchau pra esse universo.
Que tal fazer um “funeral” pra essa história e se despedir para abrir espaço pra outra? O melhor jeito de fazer isso é colocar pra fora tudo que está aí dentro.
Escreva uma resenha, mande um áudio pro seu melhor amigo surtando, crie uma playlist para eternizar a vibe e ouça sempre que sentir saudades.
Não siga em frente tão depressa, você tem tempo para honrar uma história que significou muito!
tô de ressaca porque eu cansei de ler
Ficar saturado e se sentindo sobrecarregado com a leitura em si é um belo de um sinal amarelo, te avisando pra desacelerar.
Insistir em ler quando está tão sem vontade, pode arruinar a sua experiência com uma história que seria incrível.
Se dê um tempo para descansar, tá tudo bem. Respeite seu limite e lembre-se que ler é pra ser prazeroso.
tô de ressaca porque ando sem tempo pra ler
- arrumar a casa + audiobook
- skincare + audiobook
- academia + audiobook
- transporte público + audiobook
O mais importante: lembre-se que você não está sozinho nessa, ressaca literária acontece com os melhores leitores!
Manda esse post pra um amigo leitor que precisa de ajuda com a ressaca também, e não deixa de seguir a gente no instagram também, tem muitas outras histórias te esperando por lá 🤍✨
Me conta aqui, o que você gosta de fazer quando a ressaca literária bate?
como a leitura mudou a minha vida
Eu gosto de pensar que eu leio desde que me entendo por gente, mas às vezes eu nem me entendo por gente ainda. Efeito colateral de ter quase 22 anos, eu acho.
De qualquer forma, a leitura é muito mais que meu refúgio, mais que meu passatempo para quando eu estou entediada e ainda mais do que fonte de conhecimento.
O hábito da leitura é parte de quem eu sou desde que a biblioteca da escola me cadastrou para levar gibis da Turma da Mônica para casa, na primeira série.
E digo mais, incentivar pessoas a conhecerem a magia da leitura é um dos meus maiores prazeres. Eu falo isso porque eu consigo identificar 4 pilares que o hábito de ler me trouxe ao longos dos anos, e saber que alguém pode ter a vida transformada assim como eu tive a minha, é combustível suficiente para mim.
Aqui estão 4 motivos e exemplos de como a leitura mudou a minha vida, e eu espero que te inspire de alguma maneira.
1) aprendi a entender e processar meus sentimentos
Como uma pessoa que ainda não viveu o bastante nessa Terra (oi, eu nasci em 2000), mas viveu o suficiente para experimentar um pouco da angústia que a existência humana e o amadurecimento pode proporcionar, ler livros me ajudou a processar meus sentimentos e ter clareza para lidar com minhas aflições.
Lembro da primeira vez que eu li “Uma Vida Pequena” (da autora Hanya Yahagihara), e ela descreveu uma cena onde um dos personagens se comparava com os amigos e com a naturalidade que eles aproveitavam o que a vida lhes ofereciam, sem pensar demais sobre o prazer de desfrutar de algo que você talvez não mereça.
Lembro que li esse parágrafo várias vezes, marquei, e um ano mais tarde levei o tópico para discussão na minha sessão de terapia!
Ler as angústias, vitórias e melancolias de outras pessoas (ou melhor, de outros personagens), me ajuda a identificar as minhas próprias, e isso é um privilégio do mundo literário.
2) elevou a minha autoestima - não ao ponto de ser insuportável, pode ficar de boa
O complexo de Deus é algo para se tomar muito cuidado, mas não sou capaz de não me sentir orgulhosa ao notar a minha habilidade em conversar sobre tantos assuntos diversos, graças ao hábito da leitura.
A verdade é que a leitura é uma fonte inesgotável de conhecimento, seja em um livro de autoajuda, numa ficção histórica, ou em um romance sessão da tarde. Sempre há algo novo para aprender, duvidar ou enxergar a situação por um ponto de vista diferente.
3) me tornei uma pessoa melhor - mais compreensiva e empática
Alguns livros têm o poder de despertar sentimentos e desenvolver a empatia. E não só isso, mas também a habilidade de ver diferentes perspectivas de uma mesma história, e inspirar o leitor a correr atrás de seus sonhos (talvez um em comum com o personagem, inclusive).
Mesmo que seja fictício, a leitura nos conecta com a realidade de outro alguém e podemos entender o que é estar na pele daquela pessoa.
Me identificar com alguns comportamentos e valores fez com que eu transportasse para a vida real a mesma gentileza que eu tinha para entender personagens. Até porque, querendo ou não, todos estão vivendo uma história única.
Todos nós somos personagens de várias histórias, tanto protagonistas quanto secundários, e saber disso traz à tona a capacidade de se solidarizar com vivências distantes da nossa realidade.
4) nós, leitores, somos mais criativos
Bom, não sei se isso é de conhecimento geral, mas achei legal trazer um tópico para enaltecer a criatividade que a leitura dá ao leitor.
Ler histórias potencializa a criatividade na hora de ter ideias, resolver problemas e criar algo novo, e esses são só alguns exemplos da magia da construção de histórias.
Diferente de filmes e séries, já que esses contam com cenários, atores e trilhas sonoras que reforçam o sentimento a ser transmitido, a leitura te leva para um mundo invisível.
Você imagina cenas, momentos e até aparências de personagens. Você cria outro mundo dentro do seu próprio universo, como se fosse uma subpasta, de acordo com o que você já viveu e leu, e isso é um baita estímulo para a criatividade e imaginação.
Essa é a sua deixa para priorizar a leitura em 2022! E lembre-se: ler é um hábito que precisa ser estimulado.
Tudo se cria. Tudo é história.
eu cansei de ter medo de errar
Você era uma daquelas crianças que levantavam a mão para responder assim que o professor fazia uma pergunta na sua época de escola? Porque eu definitivamente não era.
Eu lembro de como as minhas mãos ficavam pegajosas e da sensação da minha orelha e nuca queimando quando eu precisava expressar a minha opinião sobre algum assunto que o professor perguntava.
Eu respirava fundo e a minha ansiedade já me preparava para o pior: a risada abafada dos meus colegas de classe diante da minha resposta errada, os cochichos entre todo mundo sobre o quão vergonhoso era me assistir gaguejando e tropeçando nas palavras.
Assim que eu abria a boca e respondia, eu percebia que o medo estava apenas na minha cabeça.
Ninguém deu risada, não houve cochichos e eu não me senti mal por errar a questão. Meu professor me corrigiu e acabou que a minha dúvida era a mesma de outros alunos.
Ora, ora... quem diria que errar faz parte, hein? - atenção para a ironia.
Eu estava pensando bastante nisso durante as minhas aulas de inglês. Ter domínio sobre o idioma desde pequena me fez superar essa insegurança mais cedo, mas todas as vezes que eu vejo um aluno com as pernas bambas na hora de conversar em inglês, eu me sou levada de volta ao passado quando eu era eu quem estava com medo.
Mas não pense que isso acabou não! Eu posso não ter medo de falar inglês hoje, mas eu morro de medo de começar novas atividades e não ser “perfeita”, e isso me impede de ter experiências incríveis.
Mas te prometo que estou tentando mudar, e esse texto é uma prova disso! Em 2022, eu vou me expor mais e quero começar bem agora em 2021.
Lembre-se: ficar nervoso e se sentir inseguro em algo que a gente ainda não domina é super normal. O mais importante é você não deixar que o medo te paralise. Entenda que todos nós erramos e errar também faz parte da sua caminhada.
No final das contas, nós não temos mesmo medo de errar, nós temos medo das consequências do erro. A possibilidade de errar faz com que um alarme de “perigo” soe em nosso cérebro de forma ameaçadora.
Isso acontece porque o medo está ligado a nossa amígdala que, de forma bem simplificada, trabalha para identificar sinais de ameaças. Normalmente, a amígdala fica inativa, mas isso muda ao menor sinal de perigo.
Assim, o medo é capaz de ativar algumas áreas cerebrais que fazem com que nosso coração acelere para tentar encontrar uma rota de escape.
Quando nós suamos, por exemplo, nossos músculos se preparam para uma fuga e nossa atenção está totalmente focada em escapar. O medo de errar, entretanto, não precisa te causar tudo isso.
Nós podemos, sim, superar esse problema! Nossa cabeça, às vezes, pode ser a nossa pior inimiga. Se você se enxerga como alguém que só erra o tempo todo, as chances de você travar são bem grandes.
Nessa condição, o que você precisa fazer é identificar qual é a história que você está se contando e mudá-la para outra mais encorajadora.
Então, por exemplo, talvez você esteja dizendo para você mesmo: “Se eu errar as pessoas vão rir de mim” e eu te pergunto, “isso é verdade?".
Falando sério, pare e pense: qual a pior coisa que pode acontecer se alguém rir?
Primeiro, que precisa estar bem claro na sua cabeça de que você está aprendendo uma nova habilidade, assim como as outras pessoas, e você VAI ERRAR.
Você vai errar em algum momento. Aceita! Isso não é algo ruim, é algo inevitável e sinal de que você está no caminho certo.
Portanto, eu tenho um desafio: erre! Vem comigo, vamos tentar e errar juntos, eu e você. quero te mostrar que errar é algo, na verdade, muito bonito, é espaço para crescimento, melhoria e aprendizado.




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